Café com pedras
23 Julho 2008
A pedra em que eu tropecei enquanto tomávamos café, sentados. Alguém me negou um abraço, não por frieza, mas por saber que eu, de braços dados comigo mesmo, poderia pular desse precipício que não e muito maior do que a altura da minha cabeça ao chão. E essa queda, que e a maior das alturas, mede exatamente o tamanho do meu impulso, desse suspiro de vida contida, de toda vontade de pular as pedras que aparecem no caminho. Aprendi que elas não são obstáculos, mas o caminho e que, de pedra em pedra, eu monto meu arsenal. Em meu bolso, meus amigos. Em meus ombros, minha casa. Onde eu moro, são poucos que costumam bater a porta. Alguns se atrevem a chamar meu nome pela janela e, vez em quando, eu apareço. Sorria e acene. Sorria e acene. Ele, com uma pedra, destruiu meu telhado tão bem sustentado pelas minhas armações e desculpas. Fingi, em um instante, rir. Troquei dentes por lágrimas. Por dentro, claro. Gosto amargo. Bati os dedos no copo e pedi mais uma caneca de café, pra ficar. Recebi um abraço em letras, com direito a tapinha nas costas. Janelas abertas e clarabóia a luz do céu. Duas pedras de açúcar, por favor.
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1.
Nana B. | 12 Agosto 2008 at 10:03 am
Tocante. Quem de nós não troca, por dentro, dentes por lágrimas?